Quem está numa fase de ganho de massa, comendo mais calorias e tentando bater uma meta alta de proteína, geralmente escuta a mesma orientação: coma mais frango, mais ovo, mais whey. Mas existe uma parte da conta que quase sempre fica de fora, e ela pode mudar bastante o tamanho do prato de proteína "pura" que essa pessoa realmente precisa.

A proteína que ninguém soma

Arroz, macarrão, pão e até os vegetais do prato têm proteína. Pouca, é verdade, mas ela existe e, ao longo do dia, se acumula:

Em uma dieta de volume, com calorias mais altas e mais porções de carboidrato ao longo do dia, essa soma pode chegar a 30 ou 50g de proteína só vindo de alimentos que ninguém classificaria como "fonte de proteína".

Por que isso importa na prática

Se a meta diária é 180g de proteína e o prato já entrega 40g dessa quantia através do arroz, do pão e dos vegetais, sobram apenas 140g que realmente precisam vir de carnes, ovos, laticínios ou suplementos. Ignorar essa conta e tentar bater os 180g inteiros só nas fontes principais costuma gerar um problema silencioso:

Ou seja: exagerar na meta de proteína não deixa o resultado melhor, só deixa a rotina mais difícil de sustentar.

Como essa conta é feita corretamente

O caminho é simples, mas exige atenção ao padrão real de alimentação da pessoa:

  1. Estimar quanta proteína "escondida" já vem da estrutura típica da dieta (arroz, pão, massas, vegetais)
  2. Subtrair esse valor da necessidade total de proteína
  3. Definir a meta de fontes principais (carne, ovo, laticínios, suplementos) com base no que sobrou

Exemplo prático: uma pessoa de 80kg, em fase de ganho de massa, com necessidade total de 160g de proteína (2g por kg). Se a dieta dela já fornece cerca de 35g de proteína por fontes indiretas, a meta de fontes principais cai para 125g. O resultado final é o mesmo, mas o caminho até ele fica mais flexível e mais fácil de manter.

O ajuste muda de fase para fase

Essa conta não é fixa, ela muda de acordo com o momento da dieta:

É por isso que uma meta de proteína bem calculada nunca é um número solto. Ela precisa considerar as calorias totais, a estrutura real das refeições e a fase em que a pessoa está.

O que fica dessa história

Meta de proteína alta demais não é sinal de dieta bem feita, é sinal de uma conta incompleta. Levar em consideração a proteína que já vem do arroz, do pão e dos vegetais evita restrição desnecessária, sobra mais espaço para os carboidratos que sustentam o treino e o resultado continua o mesmo, só que com uma rotina alimentar mais sustentável.

Esse é exatamente o tipo de ajuste fino que faz diferença entre uma dieta que a pessoa consegue seguir por meses e uma que ela abandona na terceira semana.


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